Sonho de 2 noites de verão


Bem, já que não há férias nem destinos novos para contar – porque este verão não vou sair de Portugal a lazer e as minhas viagens de foro profissional nunca são partilhadas em tempo real (estou há meses para vos falar de um restaurante em Casablanca) – partilho convosco o meu último fim-de-semana (este post estava no forno há quase 1 mês. Mea culpa. Eu conheço a palavra procrastinação….) que é digno de ficar registado pela alegria que exalou por todos os participantes que acabaram por ser muitos.

Sabem aquelas combinações repentinas que não estavam mesmo no script e que fluem tão levemente que dão ideia de já estarem escritas há tempos? Aquelas coisas que deixam a certeza de que tinham de ser. E que bom que foram. Tipo a minha viagem a São Tomé que vos contei algures aqui no blog.

Seria mais um fim-de-semana por Lisboa e arredores, como têm sido. Este ano ando a fugir a sete pés da silly season. O máximo contacto que tenho tido com esse fenómeno é via feed de facebook e muito na diagonal. Sabem quando a sensação é de engough is enough? Um dia teria de acontecer comigo. Bom, mas 2 diazinhos por ano nunca fizeram mal a ninguém, não é? Porque estes dias tiveram o Silly escrito com maiúscula e cada vez que penso neles tenho vontade de rir.

A verdade é que no meu círculo, todos trabalhamos muito, todos temos problemas, mas, felizmente, sabemos levar a vida, o que é sem dúvidas uma arte de valor. Numa simples tarde de Domingo sem ondas , a Soul Surf School lançou para o ar a ideia de irmos para baixo. Eu só de pensar na Costa Vicentina fiquei com todos os sentidos em alerta porque tenho uma paixão gigante por aqueles territórios bravios…e quem não?

Durante a semana seguinte, as movimentações pelo meu telefone foram mais ou menos assim:

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E sexta-feira à noite, toca a carregar a carrinha da escola com sacos e pranchas e rumar ao Sul. Na carrinha íamos seis, mas fortuitamente, pelas redondezas de Sagres, esperavam-nos mais de 2 dezenas de amigos…ou 3. Éramos muitos. Sabem aquelas pessoas que gostamos mesmo muito e que por questões profissionais ou familiares estamos sempre a adiar o encontro? De repente, a vida junta todos com uma só mão no mesmo fim-de-semana num lugar paradisíaco. Sem preço. É caso para deixar escapar um Life´s Good, não é?

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Já chegámos bastante tarde lá abaixo e, portanto, a primeira noite foi mesmo só para reconhecer quem iriam ser as personagens do filme, trocar chaves de casas e organizar logística enquanto passei por espanhola e bebi umas bebidas oferecidas por um barman just for no reason…talvez por ter virado castelhana por 5 minutos na cabeça da criatura, que até foi simpática. Aquela ruazinha de Sagres é mítica: muito se entra e sai daqueles 4 ou 5 bares como que à procura de alguma coisa. Sente-se uma ansiedade no ar…parece que ninguém encontra ali nada…então, entram e saem mais umas quantas vezes dos mesmos lugares. Talvez para sentir a diferença térmica. Já sabem que o vento e o frio naquela terra raramente dão tréguas. Digamos que é o grande handicap do destino. Nada que um balde de Hendrix não resolva. Mas, isso ficaria para sábado à noite. Porque o que nos levou para o Algarve foram as praias escondidas na orla de Vila do Bispo, os seus imensos areais, aquele cheiro característico e as ondas. Tudo o resto foi presente do destino.

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Sábado foi passado em equipa numa colectividade de guarda-sóis, cangas, livros, iPods e bom-humor na Praia da Cordoama. Detalhe: Ali não há rede, o que significa que o festival de smart-phones não teve lugar na ocasião. Estávamos realmente a viver o momento com o intuito de o partilhar com quem ali estava. O tempo estava como se gosta. As caminhadas e a leitura foram colocadas em dia, bem como muita conversa boa sobre muito assunto que pôde ser abordado com tempo, descontração e verdade. Uma sensação de nudez de complexos, de pré-conceitos, de defesas. Como se aquela tarde estivesse paralela aos ponteiros do relógio e naquele momento só existissem aquelas pessoas e aquele lugar. Magia.

Claro que uma tarde difícil dessas dá fome e para dar continuidade ao programa maravilha, seguimos em direcção ao Careca para comer a conhecida sopa de peixe e as famosas lulas recheadas. Também há quem tenha ido para os grelhados. Eu adoro a sensação de estender a tarde noite adentro à mesa de uma tasca bem simples (normalmente donas das melhores cozinhas) ainda com o sal no corpo e nos cabelos, beber aquele vinho branco gelado e comer as especialidades da terra. Se melhorasse estragava…quer dizer, não foi o caso.

Se ainda não conhecem o Careca e se quiserem comer bem e descontraidamente na Vila do Bispo, recomendo que cheguem cedo. Isso de ficar em fila de espera de restaurante é algo que me tira a fome e a disposição. Qualidade de vida é chegar e ser atendido, bem atendido. Por isso, quando digo cedo, digo para irem pelas 19h00. Ou podem fazer como os que chegaram as 20h00 fizeram ficando a observar de camarote, ao frio, a festa que o primeiro turno fez. E que festa.

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Vocês sabem que todos os verões, solteiro é coisa que nasce como cogumelo nos areais portugueses. Então, juntam-se os novos solteiros aos eternos solteiros e dá-se ali uma proliferação meio que promíscua…enfim, nada que não aconteça todos os anos. Isso para dizer que a esta altura do campeonato, o verdadeiro amor é tão desejado e intangível que quando aparece uma manifestação do mesmo por perto, suscita àqueles que se regogizam com tal partilha uma necessidade enorme de festejar. Sem contar que quem gosta de festa, está sempre à espera de uma desculpinha básica.😉

Éramos uns vinte à mesa, farta de alto-astral e coisas boas de comer (hummm). No grupo, encontrava-se um casal que de tão apaixonado, emanava luz para todos os lados. E desde a saída da Cordoama em que tirámos uma foto de grupo (que partilho convosco) para registarmos o momento, que surgiu a brincadeira do casamento: os noivos para lá, os noivos para cá…

Esse noivo é daqueles que não se cansa de surpreender a sua apaixonada e não se coibiu de manifestar os seus sentimentos vezes sem conta ao longo do fim-de-semana em vários registos. Havia chegado a vez do registo cómico. Aliás, o início da comédia. Abordou todos os grupos e famílias presentes no restaurante com um bla-bla-bla-pec-pec-pec…e na verdade essa é a maior razão de este post subir ao blog hoje. O noivo, meu professor de surf na Soul Surf School prometeu a todos os clientes do Careca – que por unanimidade se predispuseram a entrar na foto de grupo do “casamento” – que iriam ter acesso à mesma aqui no blog.

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Sábado à noite resolvemos voltar à ruinha de Sagres onde tudo (ou nada) acontece. Bronzeados, renovados, vitaminados e regados dançamos muito no Dromedário. Depois de mega momento delícia, vem aquela parte em que uns vão para casa e os outros seguem para o clássico Topas. Como sou sempre a primeira a acordar, resolvi ir lá ver a bola…Perdoem-me os eternos fãs do monopólio de colunas com uma pista mais ou menos. Vocês sabem que eu não sou de falar mal de nada, mas o que é que é aquilo? Será que dá para contratarem um Dj com os 10 euros que cobram à porta de todas as centenas de criaturas que acabam por ir ali parar? De repente toca Cypress Hill, eu ainda acredito que a coisa fosse melhorar (ingénua), aquando das fantásticas passagens (ou falta delas) para aquelas batidas 100% carrinhos de choque…tive de me contentar com I will surviveyou know what I mean. Achei que a melhor forma de contornar a situação era observar no sentido antropológico. Acabei por me rir: estava lá a turma do bonezinho da pala recta, a turma do pseudo-panamá da Bacardi (a única maneira de fazer alguém beber Bacardi é oferecer brindes desses) e até a turma da Mónica…vi Chico Bento, Cascão, falei com Cebolinha, vi Rosinha…e eu, como é óbvio, era a Mónica pois a determinada altura já só se via dentes de tanto que me ria. Só me faltou o Sansão…imaginem para que.

20130907-003842.jpgE assim chegou Domingão, gosto tanto! Todos rumo a Ponta Ruiva…de-lí-cia!!! Os últimos cartuchos foram gastos a surfar (ou a levar porrada do mar). Quem não conhece essa praia tem de procurá-la no mapa e tratar de ir deliciar-se com aquele pedaço de tranquilidade. Foi O Domingo, sabem?20130907-003926.jpgE seguimos em direcção a Lisboa onde as nossa vidas reais nos esperavam, após uma breve paragem em Porto Covo, onde não comi as ostras que costumo comer. Para compensar diverti-me como uma adolescente com disparates exclusivos de pessoas que sabem manter o humor dê por onde der.20130907-003956.jpg