Strawberry rocks


Sim, come-se muto bem naquela perpendicular da famosa Avenida da Liberdade. A comida é muito saborosa, o serviço é ótimo e as bebidas…hmmm, deliciosas. Em particular as margaritas e a sangria de frutos silvestres com espumante. É interessante a ideia de ao final de um jantar agradável entre amigas – em que ao redor se podem ver as mulheres mais bonitas da noite de Lisboa ou, pelo menos, tão arranjadas quanto as Madrilenas – a saborear pratos gourmet bem confeccionados, levantar espontaneamente para dançar a música que se faz ouvir no mesmo espaço e fazer a festa ali mesmo enquanto várias garrafas de Grey Goose em clima pirotécnico desfilam pela sala ao colo dos meninos do bar para as mesas dos mais ousados. É nesse momento que os tão simpáticos empregados começam a empurrar a nossa mesa para que a suposta pista de dança se torne maior, ok. Aí, estou de pé. Aí, eu quero dançar. Aí, começo a olhar à minha volta. Ao meu lado tenho três fantásticas louras, dotadas todas elas de quase dois metros de pura beleza ariana com um ar muito refinado. Elas dão nas vistas. Durante o pouco tempo em que eu pude indagar a razão pela qual elas estariam sozinhas pude, pudemos todos, aliás – já que as mulheres presentes olhavam e riam-se invejosas e os homens não menos invejosos também o faziam – reparar que quem as trazia era um senhor de alguns setenta anos, médio porte, cabelos obviamente brancos com ar de “vocês pensam que eu sou um otário mas trabalhei uma vida inteira e agora posso pagar essas três mulheres que todos vocês cobiçam para dançarem comigo e para mim e beberem esta garrafa de champanhe que encomendo com toda a estravagância enquanto danço como um menino de vinte anos”. Duas mulheres em ritmo burlesco dançam loucamente em cima dos balcões entretendo os clientes e irritando os barmen que vêm os seus coquetéis entornados com tanto movimento de pernas no seu território. Mas, para quê pagar a essa duas lindas dançarinas se quem brilha mesmo é o homem de sweater rosa, caras e bocas, por trás de uma garrafa de Mumm entre pedras de gelo? Se reparei nisso tudo? Yes, I did. Guilty, guilty, guilty. É por isso que adoro o Lux.