Terapia do canto


Sou totalmente a favor da terapia. Aliás, vivi muitos anos num país em que dizer-se “tenho de ir andando porque tenho terapia” causava o mesmo impacto do que dizer que se vai treinar um desporto qualquer. Assim mesmo, nesta fase da vida tenho várias actividades que considero substituir a terapia. Hoje foi uma dia fantástico. Depois de uma boa caminhada acompanhada pelo meu ipod, fui para a minha segunda aula de canto. Costumo dizer que tenho duas grandes frustrações: uma é não saber sambar, outra, não saber cantar. Vamos resolver isso!

Tenho um professor maravilhoso com quem converso e aprendo muito, é um verdadeiro poço de sabedoria. Isso hoje não é assim tão fácil encontrar. Na primeira aula, para ele ter noção da matéria prima que tem para trabalhar, tirou partituras de músicas que eu gosto e cantei até doer a garganta! Haverá terapia melhor? A questão é que não é suposto doer-se a garganta. Hoje começamos com metodologia e técnica. Acabou-se o playground. Assim como ninguém emagrece a comer chocolates (acho), ninguém aprende a cantar sem as bases teóricas, a menos que se nasça com um dom sobrenatural.

Todos já devem ter uma ideia de qual é a base da pirâmide do canto. Exacto, a respiração. Essa parte é bem mais fácil para quem pratica yoga, pois é a mesma lógica de respiração. A correcta. Aliás, gostaria de entender porque nascemos a respirar bem e desaprendemos com o tempo. Temos de nos concentrar na expiração ajudando com o abdómen. Quando se inspira o abdómen infla e o oposto se sucede quando se expira. Deve-se inspirar o mais possível pelo nariz e, obviamente, o ar deve sair pela boca em simultâneo com a voz. As razões pela qual o nariz deve ser o protagonista da inspiração são o facto de esse órgão raramente bonito em alguém ter as propriedades de aquecer e filtrar o ar e ainda hidratar as pregas vocais.

“A voz é indissociável do físico, dos afectos e das emoções. Aliás, a voz espelha tudo isso” foi a frase que Rui de Matos, maestro, professor e coach proferiu durante a aula e deixou-me a pensar.